AfroReggae encerra Encontro com exemplos de transformação

           
            Hoje ele é mediador de conflitos em várias comunidades cariocas que vivem o dia-a-dia da guerra do tráfico. Mas ele esteve durante 10 anos do outro lado, mandando matar e “atuando como imperador”. Essa é a biografia de Washington Rimas, ou Feijão como ficou nacionalmente conhecido nas páginas policiais até 2003. Ele mesmo contou sua história no encerramento do 4o Encontro Catarinense do Terceiro Setor para mostrar a importância de projetos como o AfroReggae, criado há 18 anos e que hoje possui cerca de 60 projetos voltados para educação, cultura e geração de renda. Um dos “braços” do Grupo Cultural AfroReggae é a Banda, que se apresenta em shows grandiosos em vários lugares. Um dos vocalistas da Banda AfroReggae, Anderson Sá, também esteve presente no Encontro, revelando resultados positivos das iniciativas realizadas em vários lugares do Rio de Janeiro e em outros estados também. E desde 2005 o AfroReggae também passou a exportar a metodologia de difusão das iniciativas sociais. “Repassamos nossa experiência para a Índia, Colômbia, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos”, contou Anderson, que também já atuou como mediador de conflitos, função do Washington “Feijão” atualmente. Mediar conflitos é participar das comunidades que estão em guerra e buscar alternativas para que os projetos sociais não sejam afetados. “Pela minha história, virei referência para a molecada de como é possível sair de uma posição no tráfico e limpar a ficha. Eu não queria mais a vida que eu tinha, mas os meninos que não possuem perspectivas são seduzidos pelo dinheiro, pelo consumo de produtos caros”, contou Washington, que ainda destacou: “Hoje consigo resgatar muitos meninos, assim como eu fui resgatad pelo AfroReggae”. O coordenador dos projetos do Centro Cultural Escrava Anastácia, de Florianópolis, André Ruas, também participou do último debate do Encontro, contando como funcionam os programas no Morro do Maciço, voltados para educação e cultura. “Infelizmente os problemas que vemos no Rio de Janeiro não são localizados, é um problema nacional e em Florianópolis também”.

 

            VOLUNTARIADO QUE DEU CERTO – Em outra palestra, a diretora da ONG Natal Voluntários, Mônica Mac Dowell, falou da experiência desenvolvida na capital do Rio Grande do Norte. “A Natal Voluntários prima pela participação cidadã diretamente na comunidade, acompanhando as políticas públicas. A ONG desenvolve programas em parceria com o Pnud e os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio”, exemplificou. A Natal Voluntários desenvolveu o programa Tempo onde exerce ações de interesse público, ações voluntárias concretas, capacitação e se preocupa com a continuidade e sustentabilidade. Mônica citou alguns projetos, dentre eles o 1º Tempo que se preocupou com a implantação da coleta seletiva na cidade de Natal, que absorve mão-de-obra que antes atuava nos lixões. Cerca de 80 comunidades são atendidas. Outro exemplo é o 7º Tempo que se ocupou da construção de rampas de acesso às calçadas, juntamente com voluntários de outros setores incluindo o Ministério Público. “Hoje em dia nenhuma construção recebe habite-se sem que haja uma rampa de acessibilidade”. No chamado 11º Tempo, a Natal Voluntários tem parceria com emissoras de televisao do Estado do Rio Grande do Norte que veiculam mensalmente campanhas criadas para falar da importância do teste de pezinho nos municípios do Estado. Atualmente, dos 59 municípios que não realizavam o teste do pezinho, somente 14 não realizam. Outro programa, o 13º Tempo, é o Projeto Água potável. Grande parte da água do município de Natal é contaminada por nitrato. A campanha é para que a sociedade se dê conta do problema. Além destes programas, a Natal Voluntários promove a Campanha de Olhos bem abertos, Operação Impacto onde vários artistas da cidade participam voluntariamente em prol da melhoria da qualidade de vida da cidade de Natal. Monica anunciou a campanha Dia Global do Voluntariado Jovem, com a participação de mais de cem países e que já mobilizou 147 mil jovens em todo o país no ano passado. Cerca de 100 comitês de organização foram criados a partir de parcerias e o Dia Global envolve crianças, escolas, jovens de baixa renda que aguardam ações do governo que as beneficiem. A Natal Voluntários conta com o apoio da Ação Voluntários em Santa Catarina.

 

            AVALIAÇÃO – Rogério Renato Silva, diretor do Instituto Fonte, sediado em São Paulo, aprofundou as questões sobre avaliação dos projetos e programas sociais. “Nesse importante momento do desenvolvimento social, a avaliação serve como instrumento fundamental para garantir bons resultados e continuidade dos projetos. Resta saber o que as pessoas querem avaliar, de que forma querem avaliar e se estão preparadas para receber os resultados de uma avaliação”.

 

            ENCERRAMENTO – O presidente da Fucas, Aparício José Mafra Neto, avaliou como positivo os três dias do evento. “Foi possível aprofundar muitas questões, como formação, alianças estratégicas e a avaliação. A apresentação de cases também enriqueceu bastante o Encontro, que serviu ainda para uma troca de informações entre os participantes. As relações é que movem o Terceiro Setor e o evento sempre serve como um grande animador destas relações, aproximando instituições e pessoas”, concluiu.

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